"Hoje
a
pregação
foi
cajado
puro.
Por
isso
me
inspirei
num
Geazi,
busquei
um
vaso
de
benção,
sai
do
Egito
e
subi
o
monte".
A
afirmação
é
fictícia,
mas
podia
estar
na
boca
de
algum
crente
pentecostal
brasileiro
com
algum
tempo
de
vivência
evangélica.
Crentes
têm
sua
própria
gíria,
o
evangeliquês,
idioma
que
corre
solto
em
igrejas,
mais
rico
no
segmento
pentecostal,
como
mostra
matéria
de
Marcelo
Santos,
intitulada
"A
língua
dos
crentes",
publicada
na
revista
Eclésia,
que
chegou
a
dedicar
uma
página
ao
"dicionário
de
evangeliquês".
O
uso
freqüente
de
jargões
"faz
com
que
acabemos
utilizando
tais
expressões
como
nossa
identidade.
São
formas
vernaculares
que
boa
parte
da
população
desconhece",
disse
para
Eclésia
o
mestre
em
lingüística
e
professor
Nataniel
dos
Santos
Gomes,
estudioso
do
assunto.
Ele
alertou,
contudo,
que
o
emprego
do
evangeliquês
pode
criar
barreiras
entre
crentes
e
os
que
são
do
mundo,
"inclusive
com
um
vocabulário
que
identifica
aqueles
que
dominam
e
os
que
não
dominam
o
falar
'espiritual'".
Traduzindo,
então,
aquele
diálogo
fictício
que
abre
a
matéria,
quando
o
pregador
é
duro
na
homilia
o
crente
diz
que
se
trata
de
"cajado
puro";
Geazi
é
o
personagem
do
Antigo
Testamento,
aprendiz
do
profeta
Eliseu,
e,
por
associação,
o
termo
é
usado
para
indicar
o
crente
que
procura
se
inspirar
e
buscar
orientação
com
irmãos
mais
experientes.
Vaso
de
bênção
é
o
crente
que
se
dedica
ao
ministério
da
oração
ou
que
é
usado
por
Deus
com
manifestações
sobrenaturais;
sair
do
Egito,
expressão
retirada
do
relato
do
Êxodo,
quando
o
povo
de
Israel
foi
liberto
da
escravidão,
significa,
no
jargão
evangélico,
deixar
alguma
provação
para
trás;
já
"subir
o
monte"
refere-se
ao
ato
de
buscar
a
Deus
intensamente.
Nataniel
explicou
à
Eclésia
que
os
jargões
são
parte
da
identidade
evangélica
e
não
usá-los
é
praticamente
impossível
para
os
crentes.
A
maioria
dos
termos
que
vai
se
formando
como
verbete
no
evangeliquês
procede
do
Antigo
Testamento.
Fonte:
Agência
Latino-Americana
e
Caribenha
de
Comunicação
(ALC).