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À medida que cresce a
presença evangélica na sociedade e na política
brasileira, igrejas e organismos dessa família
confessional emitem cartilhas, cartas pastorais e decálogos
arrolando diretrizes dirigidas a eleitores e
candidatos com vistas às eleições municipais de 3
de outubro.
A Aliança Evangélica Brasileira (AEvB) preparou o
"Decálogo do voto ético", com a intenção
de contribuir ao processo eleitoral, "no qual o
voto evangélico não seja manipulado, como muitas
vezes já o foi". O décimo
"mandamento" do decálogo enfatiza que
"nenhum eleitor evangélico deve se sentir
culpado por ter opinião política diferente da de seu
pastor ou líder espiritual".
O Decálogo alerta, no quinto item, que "a
diversidade social, econômica e ideológica que
caracteriza a igreja evangélica no Brasil impõe que
não sejam conduzidos processos de apoio a candidatos
ou partidos dentro da igreja, sob pena de constranger
os eleitores (o que é criminoso) e de dividir a
comunidade".
A AEvB enfatiza que "nenhum cristão deve se
sentir obrigado a votar em um candidato pelo simples
fato de ele se confessar cristão evangélico". E
sustenta que o político de fé evangélica tem que
ser um evangélico na política e "não apenas um
‘despachante’ de igrejas".
O pastor presidente da Igreja Evangélica de Confissão
Luterana no Brasil (IECLB), Walter Altmann, indaga, em
carta pastoral dirigida às congregações e
departamentos da igreja, sobre a responsabilidade da
comunidade cristã nas eleições e nos processos políticos.
"Pelo amor, as pessoas cristãs são servidoras
umas das outras (Gálatas 5.13), e esse servir inclui
a política", responde.
A carta pastoral da IECLB lembra que o reformador
Martim Lutero colocava o Evangelho acima de todas as
coisas e que se pode entender, a partir de suas colocações,
a relação entre fé e política como uma prática da
soberania de Deus, Senhor tanto da Igreja como do
Estado.
"Na Igreja alimentamos nossa fé pela palavra e
pelos sacramentos. Em nossa vida pública exercitamos
a justiça e o cuidado para com os mais fracos como
propósito divino contra a tentação das injustiças
e das exclusões", diz a carta pastoral.
Eleições, define o pastor presidente, "são um
importante instrumento para a construção de uma
sociedade livre e democrática, com um pacto social
consistente, que promova a liberdade, a justiça e a
paz". Elas estão implícitas, de certa forma, na
compreensão evangélico-luterana de comunidade como
"sacerdócio de todas as pessoas" ou como
corpo de Cristo, pilares da teologia luterana.
Altmann destaca, na carta, que direitos humanos e
cidadania são elementos necessários para a construção
democrática de uma nova sociedade. Cidadania, frisa,
requer ações como luta contra a miséria, a fome, a
doença e o desemprego; exige esforços para extirpar
violência e corrupção, desigualdades sociais e
destruição do meio ambiente; demanda empenho em
favor de educação e moradia para todos, de reforma
agrária, de libertação do trabalho escravo e de um
novo destino para as crianças de rua.
A carta pastoral da IECLB enfatiza que a atuação do
cristão na política e na sociedade não termina com
o voto, pelo contrário, "é com ele que começa
e se aprofunda a nossa responsabilidade pública como
pessoas cristãs".
O Sínodo Espírito Santo a Belém, da IECLB, lembra,
em material que preparou para suas comunidades com
vistas às eleições, que "não existe Igreja
apolítica, no sentido de que sua pregação só se
restrinja a uma fé que se alicerça em experiências
interiores individuais e /ou individualizantes".
Alerta, contudo, que a Igreja, na função de guardiã
da sociedade e de sentinela da política, "não
pode assumir bandeira politico-partidária". O
seu papel, aponta, é inequívoco: "animar as
autoridades, quando empenhadas pelo bem comum;
adverti-las, questioná-las e contestá-las, cobrando
soluções, quando não possibilitam ou desvirtuam
convivência digna no Estado e na sociedade".
O documento "Luteranos e sua postura política",
do Sínodo Espírito Santo a Belém da IECLB, também
dá diretrizes às comunidades no que diz respeito à
aceitação de "ajuda" dos candidatos,
principalmente para festas comunitárias.
"Essa ‘ajuda’ deve ser repudiada por todos os
presbitérios, pois se trata de atitude e ato que visa
a obtenção de votos. Os luteranos não vendem o voto
deles, e, portanto, também não se prestam a receber
tais tipos de ‘ajuda’. Pelo contrário, devem
recusá-la com o argumento de que o poder econômico não
deve ser usado para obter benefícios pessoais ou de
determinados grupos", diz o texto.
Dos cerca de 120 milhões de eleitores há um
expressivo número de "votos evangélicos",
responsáveis por algo em torno de 20 milhões de
votos. O dado torna-os um segmento cobiçado do colégio
eleitoral, "criando o risco de alianças
comprometedoras e prejudiciais para o futuro e a
credibilidade de nossas instituições sociais,
reduzindo o nosso voto a interesses particulares e em
benefício de projetos institucionais e
paroquiais", admoesta a carta pastoral da IECLB.
Voltado para um outro setor, o do mundo das
companhias, o Instituto Ethos reeditou a cartilha
"A responsabilidade social das empresas no
processo eleitoral", com uma tiragem de 25 mil
exemplares. O texto enfatiza que o financiamento deve
estar associado à política de responsabilidade
social da empresa, sob o risco dela macular a sua
imagem se não o fizer.
A cartilha, informa a agência Adital, defende que
"o financiamento de campanha deve ser
compreendido como uma manifestação de cidadania
empresarial, e não como um negócio". Ela
condena a prática comum entre grandes financiadores,
de fazer "doações para candidatos com propostas
antagônicas, na esperança de manter boas relações
com qualquer um que seja eleitor".
O Instituto Ethos recomenda que as empresas divulguem,
ainda durante a campanha, os candidatos que estão
apoiando e quanto estão doando para a campanha, e que
promovam, em seu ambiente de trabalho, o debate político
entre os funcionários, apresentando, por exemplo, os
programas dos principais candidatos.
As informações são da (ALC).
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