|
Cientistas de mais de 70 países unidos em
um projeto para estudo dos animais oceânicos
anunciaram que cerca de 13 mil novas espécies
de organismos marinhos foram descobertas
no último ano.
Os cientistas se uniram no chamado Censo
da Vida Marinha, que, além das espécies,
também descobriu rotas até agora
desconhecidas de migração de alguns
animais marinhos, como o atum e o tubarão.
O projeto de dez anos, iniciado no ano
2000, com custo de US$ 1 bilhão, tem como
objetivo criar um grande banco de dados
sobre as espécies para, assim, facilitar
a criação de políticas de conservação
e para o setor pesqueiro.
Com as novas espécies encontradas nos últimos
12 meses, o banco de dados tem agora mais
de 5,2 bilhões de registros de localização,
data e profundidade sobre as espécies
encontradas.
Todas essas informações permitiram ao
censo construir um mapa completo com a
distribuição geográfica de 38 mil espécies,
de espécies de plâncton a baleias.
Muito a descobrir
Dados de várias regiões oceânicas ainda
não foram compilados. Mas informações
vindas só de uma delas, a do Atlântico
Central, indicaram a existência de 80 mil
espécies.
O total de espécies de peixes marinhos
encontradas até agora é de 15.482.
Estudiosos acreditam que, até que o censo
seja completado, em 2010, esse total
chegue a cerca de 20 mil.
Mas a quantidade de peixes não se compara
à de organismos microscópicos. O banco
de dados já inclui mais de 6,8 mil espécies
de zooplâncton.
Ron O'Dor, o cientista-chefe do censo,
disse que tudo que já foi descoberto é
apenas um começo.
"Nós sabemos algo sobre (as espécies
que habitam) os primeiros 100 metros até
agora, mas não sabemos quase nada sobre o
que há nas profundezas", disse ele.
"Nossa análise mostra que, se você
encontrar um peixe que vive a mais de 2 km
de profundidade, a chance de que ele não
tenha sido catalogado é maior do que
50%."
Áreas circulares
Algumas espécies são só trazidas à
superfície em redes especiais, contadas e
catalogadas. Outras recebem mecanismos de
rastreamento e têm seus hábitos migratórios
estudados.
O resultado do estudo é um quadro da dinâmica
da vida marinha, que está começando a
surgir.
"Em alguns dos resultados que
obtivemos, é possível ver uma área
circular que parece concentrar a vida em
grandes profundidades", disse Fred
Grassle, o presidente do comitê diretor
internacional do censo.
"Essas áreas circulares têm 10 km
de diâmetro e estão milhares de metros
abaixo da superfície."
Fonte:
BBC Brasil.
|