|
As
constantes 'batidas' da polícia e da Unicoc
(Unidade Integrada de Combate às Organizações
Criminosas) levaram os comerciantes do Centro
Comercial Popular (Camelódromo) a assinar um TAC
(Termo de Ajustamento de Conduta) no ano passado
junto à prefeitura de Campo Grande para evitar a
venda de CDs e DVDs piratas. Na prática, a ação
resolveu um problema e criou outro. Agora,
meninos de até 10 anos ficam em frente ao local
para vender os produtos pirateados, são usados
pelos antigos fornecedores do Camelódromo para
continuar o comércio pirata.
"É assim que eu ajudo minha mãe, compro roupas
melhores para mim e não me envolvo com drogas",
justifica um garoto de 11 anos que há dois meses
vende os produtos. Como ele, outros 22 jovens, a
maioria com menos de 18 anos, disputam quase a
tapa os clientes que passam em frente ao
Camelódromo na entrada da Avenida Afonso Pena.
Cada vendedor fica com 20% do lucro da venda
diária. "Compensa", explica um jovem de 16 anos,
que garante não estar fora da escola.
O dia-a-dia da venda do produto ilegal é
tumultuado. Qualquer policial, mesmo os que
estão apenas de passagem, causam alvoroço no
grupo que atropela pedestres na tentativa de
fuga e proteção da mercadoria. Os produtos ficam
em caixas, mochilas e, em especial, nas mãos dos
vendedores na hora em que passa 'o rapa'. "Esse
atropelo é diário. A vida é assim mesmo", revela
outro.
Os jovens não disfarçam a insatisfação em
conversar com jornalistas. Na avaliação deles,
as matérias divulgadas na imprensa resultam em
punição. Foi assim com um rapaz de 22 anos que
após dar uma entrevista e deixar-se identificar
passou 11 dias detido. "Estou respondendo a um
processo. Se me pegarem novamente aqui nem sei.
Tive que gastar R$ 1,8 mil entre advogado e
condicional", assegura.
É evidente o temor dos jovens sobre a divulgação
de rostos e mesmo da presença no local. Eles
acreditam que estão atuando em uma atividade que
os tira das ruas e evita a violência. A
necessidade de permanecer no local os leva a não
informar quem os abastece. "Para falar a
verdade, nem mesmo nós sabemos o verdadeiro nome
do fornecedor. Ele só vem, entrega a mercadoria
e recebe", diz o jovem que esteve preso.
O presidente da AVA (Associação dos Vendedores
Ambulantes) Vicente Reinaldo Peixoto afirma que
não há o que fazer quanto à situação porque os
rapazes estão fora do Camelódromo. "Nós tentamos
cuidar aqui porque se ficar comprovado que
alguém aqui dentro vende CD e DVD pirata pode
até perder a concessão do box", explica. Peixoto
conta que o assédio aos clientes das lojas e
pedestres prejudica o Camelódromo, mas não há
como intervir e critica os fornecedores. "Eles
usam menores porque sabem que não podem ser
presos".
O Conselho Tutelar informou que o Serviço de
Acolhimento será informado das crianças
presentes no local, que a polícia faz rondas
constantes na região e tenta apurar a situação.
Fonte: Boletim da ABPD.
Deixe seu
comentário em nosso mural Clicando aqui.
|