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26/03/2008

Meninos são explorados vendendo CD pirata na rua

 

As constantes 'batidas' da polícia e da Unicoc (Unidade Integrada de Combate às Organizações Criminosas) levaram os comerciantes do Centro Comercial Popular (Camelódromo) a assinar um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) no ano passado junto à prefeitura de Campo Grande para evitar a venda de CDs e DVDs piratas. Na prática, a ação resolveu um problema e criou outro. Agora, meninos de até 10 anos ficam em frente ao local para vender os produtos pirateados, são usados pelos antigos fornecedores do Camelódromo para continuar o comércio pirata.

"É assim que eu ajudo minha mãe, compro roupas melhores para mim e não me envolvo com drogas", justifica um garoto de 11 anos que há dois meses vende os produtos. Como ele, outros 22 jovens, a maioria com menos de 18 anos, disputam quase a tapa os clientes que passam em frente ao Camelódromo na entrada da Avenida Afonso Pena. Cada vendedor fica com 20% do lucro da venda diária. "Compensa", explica um jovem de 16 anos, que garante não estar fora da escola.

O dia-a-dia da venda do produto ilegal é tumultuado. Qualquer policial, mesmo os que estão apenas de passagem, causam alvoroço no grupo que atropela pedestres na tentativa de fuga e proteção da mercadoria. Os produtos ficam em caixas, mochilas e, em especial, nas mãos dos vendedores na hora em que passa 'o rapa'. "Esse atropelo é diário. A vida é assim mesmo", revela outro.

Os jovens não disfarçam a insatisfação em conversar com jornalistas. Na avaliação deles, as matérias divulgadas na imprensa resultam em punição. Foi assim com um rapaz de 22 anos que após dar uma entrevista e deixar-se identificar passou 11 dias detido. "Estou respondendo a um processo. Se me pegarem novamente aqui nem sei. Tive que gastar R$ 1,8 mil entre advogado e condicional", assegura.

É evidente o temor dos jovens sobre a divulgação de rostos e mesmo da presença no local. Eles acreditam que estão atuando em uma atividade que os tira das ruas e evita a violência. A necessidade de permanecer no local os leva a não informar quem os abastece. "Para falar a verdade, nem mesmo nós sabemos o verdadeiro nome do fornecedor. Ele só vem, entrega a mercadoria e recebe", diz o jovem que esteve preso.

O presidente da AVA (Associação dos Vendedores Ambulantes) Vicente Reinaldo Peixoto afirma que não há o que fazer quanto à situação porque os rapazes estão fora do Camelódromo. "Nós tentamos cuidar aqui porque se ficar comprovado que alguém aqui dentro vende CD e DVD pirata pode até perder a concessão do box", explica. Peixoto conta que o assédio aos clientes das lojas e pedestres prejudica o Camelódromo, mas não há como intervir e critica os fornecedores. "Eles usam menores porque sabem que não podem ser presos".

O Conselho Tutelar informou que o Serviço de Acolhimento será informado das crianças presentes no local, que a polícia faz rondas constantes na região e tenta apurar a situação.
 


Fonte: Boletim da ABPD.

 

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