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Dois
estudos internacionais indicam que a
religiosidade pode proteger da morte por
problemas cardíacos e de doenças como
hipertensão. Um, constatou, entre os religiosos,
um menor número de mortes por doenças do
coração, o outro que, atividades religiosas
diminui o risco de hipertensão.
Por 30 anos, médicos norte-americanos
acompanharam a saúde cardiovascular de 6.500
adultos que não apresentavam fatores de risco
(obesidade, tabagismo etc.). Constataram menor
número de mortes por doenças do coração entre os
que seguiam alguma religião.
Outro estudo americano, realizado pela
Universidade de Duke com 3.963 pessoas, concluiu
que a leitura de textos religiosos, a prática de
oração ou a participação em cultos reduziu em
40% o risco de a pessoa desenvolver hipertensão.
Com base nesses resultados, a Sociedade de
Cardiologia de São Paulo vai discutir pela
primeira vez a relação entre espiritualidade e
saúde cardiovascular, em um congresso que começa
hoje na capital.
"Cada vez mais estudos apontam essa associação
benéfica. Os resultados ainda não são
definitivos, mas merecem ser discutidos", diz o
cardiologista Álvaro Avezum, diretor da divisão
de pesquisa do Instituto Dante Pazzanese de
Cardiologia de São Paulo. Existem algumas
teorias para explicar por que as pessoas
religiosas têm menos doença cardiovascular. A
principal delas, de acordo com Avezum, é o
controle do estresse.
"O estresse aumenta os níveis de cortisol no
sangue. Isso eleva a pressão arterial e pode
provocar taquicardia -fatores de risco para
problemas cardiovasculares. As pessoas
espiritualizadas têm maior convivência social e
enfrentam os problemas da vida de maneira mais
fácil, gerenciam melhor o estresse", diz.
O psicólogo José Roberto Leite, do departamento
de Psicobiologia da Unifesp, concorda. "Pessoas
que têm uma crença religiosa costumam alimentar
expectativas positivas em relação ao futuro."
Resultados controversos
O geriatra Giancarlo Lucchetti, do Departamento
de Neurologia da Unifesp, diz que a dobradinha
religiosidade e espiritualidade sempre esteve
muito próxima da saúde, embora haja conclusões
controversas. "Há estudos que mostram
benefícios,outros não. Mas a religiosidade é
benéfica não apenas para o coração, mas para a
saúde como um todo."
Lucchetti fez um levantamento com 110 pacientes
idosos que estavam em reabilitação na Santa Casa
de São Paulo. Aqueles que eram mais religiosos
tiveram uma melhora mais rápida no tratamento e
relataram ter mais qualidade de vida, segundo o
médico. Ele alerta, porém, para o fato de que a
religião pode atrapalhar o paciente, dependendo
da abordagem: "Muitas pessoas acham que um
problema de saúde acontece porque estão sendo
punidas, porque Deus as abandonou. Isso provoca
desfechos piores no tratamento e maior índice de
depressão".
Religiosidade, sozinha, não faz milagre, como
lembra o cardiologista Marcos Knobel, do
hospital Albert Einstein: "Quem só se dedica à
religião e esquece de outros fatores não estará
mais protegida do que alguém que cuida da saúde,
mas não é tão religioso".
Fonte:
Folha de São Paulo.
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